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Caetité: Mais um escândalo abala o programa nuclear brasileiro Destaque

Publicado por     |   05 Jun 2013
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A representante da Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité (Bahia), Ione Rochael, denunciou à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 22 de maio, em Audiência Pública que tratava do tema: “Debater a Situação da Energia Nuclear Pós Rio +20″, mais um crime cometido pelas Indústrias Nucleares do Brasil – INB, que chegou ao absurdo de contratar uma “pesquisa”, para calçar com falsos argumentos “científicos” as mentiras que vem usando na tentativa de convencer os brasileiros de que a exploração do urânio não causa câncer.

A comunicação de que a INB agiu cruelmente, de má fé, chegando a contratar essa pesquisa, em 2008, apenas para dar como cumprida uma condicionante do licenciamento ambiental, que obriga aquela estatal a fazer o monitoramento da saúde dos trabalhadores e das populações do entorno da mina de urânio, causou grande impacto junto aos participantes da Audiência Pública.

Pesquisa alimenta desinformação

A pesquisa, coordenada pelo pesquisador da Fiocruz Arnaldo Lassance Cunha, tem um título pomposo: ’’Estudo epidemiológico de mobi-mortalidade relativo à eventual ocorrência de patologias relacionadas a danos genéticos e neoplasias malignas na área de influência de Unidade de Concentrado de Urânio (URA), das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) – Caetité, no Estado da Bahia’’. Mas serviu a objetivo bem infame.

Desde o momento da contratação, o estudo foi questionado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, Cesat, Ministério Público Federal e movimentos sociais e populares da região porque tinha abrangência limitada e metodologia suspeita.

Durante quase quatro anos, usando dados parciais do estudo, a INB mentiu para a Bahia, para o Brasil, patrocinando na imprensa regional e estadual propaganda enganosa, manipulando informações, com manchetes desastrosas, tipo “Pesquisa Cientifica Comprova: Mineração de Urânio não aumentou casos de Câncer”, ou “Fiocruz comprova: Urânio não provocou aumento de casos de câncer’’, sem que se conheça qualquer manifestação contrária, por parte do pesquisador, ao uso que a contratante fazia do seu trabalho.

E “durante quase três anos – afirmou Ione – movimentos e entidades sociais e populares, com o apoio da Plataforma Dhesca Brasil (Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), dirigiram vários ofícios à Direção da Fiocruz e ao seu Conselho de Ética, perguntando se de fato essa pesquisa tinha o aval da Fiocruz e se a instituição considerava eticamente correto os resultados parciais do estudo serem usados para ludibriar a boa fé das pessoas da região”.

O silêncio da direção da Fiocruz era preocupante. A tal ponto que a socióloga Marijane Lisboa, da PUC/SP, disse para o presidente da Fiocruz, publicamente, durante a Cúpula dos Povos, ano passado, no Rio de Janeiro, que era necessário a instituição se pronunciar diante de um assunto tão grave que envolvia a “credibilidade”’ da Fiocruz e a segurança das populações e do meio ambiente na Bahia.

Fiocruz desmonta a farsa

Finalmente, prosseguiu Ione, “em abril deste ano a direção da Fiocruz desmontou essa fraude, essa manipulação criminosa do ‘uso indevido’ desta ‘pesquisa’ e nos informou que o Grupo de Trabalho Permanente constituído para assessorar a presidência na avaliação do estudo concluiu que o trabalho era meramente ‘Explotatório e Inconclusivo’”.

A seguir, Ione leu um trecho do ofício da Fiocruz:

“Após deliberações técnicas, o GT concluiu que o referido estudo possui um caráter exploratório e inconclusivo. Portanto, não permite estabelecer inferências sobre a relação entre a exposição à radiação ionizante (tanto em níveis naturais locais como decorrentes das atividades de extração e concentração de urânio) e seus impactos no perfil de morbi-mortalidade, ou mais especificamente sobre a mortalidade por câncer, na área de influência da Unidade de Concentrado de Urânio (URA) em Caetité – Ba. Dessa forma, consideramos inapropriadas matérias de divulgação pública que, baseadas no estudo em questão, afirmem que a atividade mineradora na região não cause impactos à saúde da população potencialmente exposta”.

Os movimentos e entidades sociais e populares de Caetité já enviaram cópia do ofício da Fiocruz aos diversos órgãos de regulação e fiscalização das atividades nucleares e também aos Ministérios Públicos Federal e Estadual e Ministério Público do Trabalho, onde correm ações judiciais, nas quais a INB, Comissão Nacional de Energia Nuclear, Ibama, Governo da Bahia e Prefeituras de Caetité e Lagoa Real são rés.

A expectativa das populações da região é grande com as providências que se espera de cada órgão público envolvido no caso e aguardam a urgente apuração dos fatos e responsabilização dos autores pelos crimes praticados.

Fonte: jornaldosudoeste.com / Por Zoraide Vilasboas

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